Filed under: Histórias
O maquinário esta a todo vapor dentro da sala. Sons de placas, fechando e abrindo num frenético ritmo de produção. Em uma caldeira lama é esquentada, a temperatura não é importante, o importante é que a lama tem de ser bem viscosa, suja e oriunda dos lixos de tudo aquilo que é esquecido, de tudo aquilo que ninguém quer enxergar ou pelo menos de tudo aquilo que todos queremos abafar.
Dessa caldeira a lama é escorrida em moldes, que caminham para outras fases da produção, caminhando em harmonia até o processo de formação dos fetos. Fetos que já são formados sem lembranças de coisas boas, de conforto, carinho ou até mesmo princípios.
Numa outra fila, supostas mães e pais caminham na esperança de poder pegar um desses “filhos” com o pensamento no dinheiro que essa prole pode render. Na entrada do fome zero a placa mostra com desenhos (para que eles possam entender) a quantidade de filhos para a quantidade de “esmola” que eles poderão receber.
Enquanto isso, dentro da produção um homem inspeciona o maquinário. Sem muita importância para a qualidade de fetos, mas muito atento ao movimento da máquina. Ele passa por todos os estágios da produção verificando e azeitando as engrenagens. Logo no final do pátio ele sobe uma escada e anda por um corredor aberto de onde pode vislumbrar toda produção. Caminha lentamente com um sorriso malandro no rosto. Percebe um outro homem no final, este engravatado e com um terno impecável carregando uma mochila para notebook nas costas. Ele continua caminhando lentamente até o encontro desse outro homem e diz com uma voz calma:
- Cada vez mais cedo essas crianças fazem sexo não é mesmo?
Com um sorriso maquiavélico no rosto o homem engravatado diz:
- São as estatísticas. Quanto menos instrução mais filhos eles põe no mundo.
3 Comentários até o momento
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DA HORA!!!
Ficção Científica tupiniquim com crítica social brava. CURTI MUITO.
O bom desse negócio de blog é que a gente acaba sendo obrigado a perder a preguiça e a vergonha na cara. AINDA BEM.
Aguardo os próximos capítulos.
Um beijo no períneo.
Comentário por Chicão Scarpini 23/04/2009 @ 14:28Da HORA FRAVIO!!!
Ficção Científica tupiniquim com crítica social SELVAGEM. É isso ai!
O bom desse negócio de Blog é que a gente acaba ficando sem preguiça e sem vergonha na cara. EU ACHO ÓTIMO.
Beijo no Períneo
Chicão
Comentário por Chicão Scarpini 23/04/2009 @ 14:34É isso ai meu caro FLAVIO, o Blog esta muito bom.
Beijos
Comentário por Chicão Scarpini 08/07/2009 @ 19:21