Deixa eu pensar


O jogo de bilhar.
19/09/2009, 18:23
Filed under: Histórias

Se eu tivesse que imaginar como o destino se dá, eu diria que é como jogar bilhar. A primeira tacada é o ato sexual dos pais, ou melhor do pai. E lá vai você nadando até o alvo final. Óvulo pintado com círculos vermelhos e é só o que o girino consegue ver. Fecundação feita, células se dividindo, aquela coisa toda. Barriga, e lá vem outra tacada. Força, força e força para sair. Luz, câmara e ação. Dai pra frente é tacada após tacada. A bola vai deslizando pelo feltro macio de acordo com a força da tacada. E se nenhuma outra força interromper no caminho da bola, esse caminho traçado estará lá. A vida correndo de acordo com o que já foi desenhado antes pela física como a conhecemos hoje. E ai quando você está no transito esperando o farol abrir alguém bate no seu carro como um evento casual. Tacada de uma bola branca batendo em outra bola qualquer. Sem contar ponto no jogo, sem a intenção de colocar uma bola no buraco, apenas uma força qualquer aplicada num evento totalmente imprevisto. Putz, que vida mais chata essa de estar dentro de um campo de jogo limitado, e pior ainda, assim que uma tacada realmente se concretiza em objetivo o que acontece: morre. E qual é a frase? Matei a bola. Irônico.

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Social
20/04/2009, 15:24
Filed under: Histórias

O maquinário esta a todo vapor dentro da sala. Sons de placas, fechando e abrindo num frenético ritmo de produção. Em uma caldeira lama é esquentada, a temperatura não é importante, o importante é que a lama tem de ser bem viscosa, suja e oriunda dos lixos de tudo aquilo que é esquecido, de tudo aquilo que ninguém quer enxergar ou pelo menos de tudo aquilo que todos queremos abafar.

Dessa caldeira a lama é escorrida em moldes, que caminham para outras fases da produção, caminhando em harmonia até o processo de formação dos fetos. Fetos que já são formados sem lembranças de coisas boas, de conforto, carinho ou até mesmo princípios.

Numa outra fila, supostas mães e pais caminham na esperança de poder pegar um desses “filhos” com o pensamento no dinheiro que essa prole pode render. Na entrada do fome zero a placa mostra com desenhos (para que eles possam entender) a quantidade de filhos para a quantidade de “esmola” que eles poderão receber.

Enquanto isso, dentro da produção um homem inspeciona o maquinário. Sem muita importância para a qualidade de fetos, mas muito atento ao movimento da máquina. Ele passa por todos os estágios da produção verificando e azeitando as engrenagens. Logo no final do pátio ele sobe uma escada e anda por um corredor aberto de onde pode vislumbrar toda produção. Caminha lentamente com um sorriso malandro no rosto. Percebe um outro homem no final, este engravatado e com um terno impecável carregando uma mochila para notebook nas costas. Ele continua caminhando lentamente até o encontro desse outro homem e diz com uma voz calma:

– Cada vez mais cedo essas crianças fazem sexo não é mesmo?

Com um sorriso maquiavélico no rosto o homem engravatado diz:

– São as estatísticas. Quanto menos instrução mais filhos eles põe no mundo.



Gina, a Girafa – FIM
10/04/2009, 20:32
Filed under: Gina, Histórias

O Caminho

Ruas estreitas, carros passando, pessoas apressadas com suas vidas, e tudo o mais que acontece em uma cidade-grande. Mas Gina seguia em frente, mesmo derrubando um vaso de plantas aqui na calçada ou outro ali na varanda.

Mic seguia em sua cabeça indicando a direção a tomar. Algumas vezes precisava descer para pedir maior detalhamento do caminho a outras minhocas. Todas sempre muito amigas e trabalhando em conjunto sempre lhe informavam um ponto à frente. E lá iam as duas amigas.

A Cidade por sua vez, começou a perceber que uma girafa com uma minhoca na cabeça estavam andando pela cidade. Todos começaram a se perguntar o que seria aquilo? E um verdadeiro fuxico tomou conta da cidade.
– O que será que ela quer, para onde ela vai?
– Qual as suas intenções reais?
– Será que é o fim do mundo?

Até que o fuxico chegou a parte da cidade que Gina morava. Os moradores logo arrumaram as coisas, dizendo que Gina era uma verdadeira heroína, mas que precisava de espaço para poder viver feliz. Logo em seguida a cidade inteira já estava se mobilizando em direção a um grande parque nas proximidades da entrada da cidade.

Assim, Girafa, minhoca e cidade, estavam cada qual em seu caminho para se juntarem no final.

No parque

O parque neste momento estava completamente tomado para ver e agradecer Gina. As pessoas estavam ansiosas para ver a Girafa e a Minhoca. Havia faixas, cartazes e muita felicidade no ar.

Quando Gina apareceu no horizonte, foi uma festa linda. Todos pulando, comemorando, gritando seu nome, o nome da cidade, jogando confetes para cima e tudo o mais que uma grande festa merece.

Gina adentrou o parque, olhou para todos e muito comovida quase não teve palavras:

– Muito obrigado, muito obrigado mesmo! Eu nem sei o que dizer ! Muito obrigado.

Dai pra frente todos pularam mais alto e gritaram mais forte e fizeram uma festa nunca vista antes.

Gina estava no meio de todos quando percebeu uma pessoa com uma tela e material de desenho ao longe. Era o desenhista que agora tinha espaço suficiente para enquadrar Gina e os pontos da cidade.

Gina estava feliz e já podia vislumbrar um futuro lindo para ela, Mic e a cidade. Mas isso é uma outra história.

FIM



Gina, a Girafa – O novo dia
04/04/2009, 21:53
Filed under: Gina, Histórias

O novo dia

O desenhista chegou com seu material na hora marcada e lá estava Gina, um pouco nervosa mas ao mesmo tempo ansiosa para ver o resultado.

O desenhista fez vários traços, mas conforme o tempo ia passando o desenhista ficava mais irritado. E Gina foi ficando preocupada também. Qual seria o motivo de tanto nervosismo ?

Em um certo momento Gina não aguentou e foi falar com o desenhista:

– Qual o motivo de tanto nervosismo desenhista ?
– Eu não sei o que esta acontecendo. Eu não estou conseguindo enquadrar você e os detalhes da cidade. Você é muito grande ! Tenho pouco espaço aqui para enquadrar certinho. Eu acho que não vai dar certo Gina. Desculpe pelo transtorno.
– Mas, e o contrato ? e a fama ? e o dinheiro ?
– É Gina, as coisas não são sempre da forma que queremos ou planejamos.

O que fazer ?

Gina ficou arrasada. Como tudo aquilo poderia dar errado. Estava tudo concretizado em sua cabeça. Todos os planos, a fama, o dinheiro. Mas tudo foi por água abaixo.

Mic, vendo a profunda tristeza de Gina ficou desesperada. E ficou matutando ali, o que poderia ser feito. Pensou, e pensou, e andou de um lado para outro e voltou a pensar até que uma grande idéia veio a sua cabeça. Saiu dali e voltou algumas horas mais tarde:

– Ei Gina, levante. Vamos. Eu tenho uma idéia. Vamos mulher-girafa. Vamos
– Não Mic. Eu vou ficar aqui. Não vou fazer mais nada. Estou triste e não quero fazer nada.
– Vamos Gina. Eu tive uma idéia que vai funcionar !
– Porque funcionária? Nada na minha vida funciona, porque agora iria ser diferente?
– Vamos Gina! Todas as minhocas que andam por todos os lugares desta cidade se mobilizaram e encontraram um lugar para você. Vamos Gina, levante logo.
– Eu não vou a lugar algum. Como eu vou poder confiar em minhocas. Não posso confiar em mais ninguém. Não posso.
– Puxa vida Gina, quer dizer que só porque alguém te prometeu algo que não pôde cumprir você agora perdeu a confiança em tudo. Eu sou a sua melhor amiga. Sempre estive aqui para tudo que você precisasse. Mas agora um alguém qualquer vem, te fere e você não quer que ninguém mais te ajude. É muito injusto isso. Pense bem, muito injusto.
– Puxa Mic, como alguém qualquer? Eu já estava planejando tudo certinho para poder viver uma vida legal e espaçosa.
– Mas o que eu quero te dizer é justamente isso, eu e todas as minhocas da cidade, encontraram um lugar pra você. E o melhor é que fica perto daqui.
– Tem certeza Mic? Isso significa que alem de espaço, eu ainda vou poder ficar perto da cidade para continuar ajudando? Tem certeza Mic ?
– Certeza eu não tenho porque não vi o lugar ainda. Inclusive eu estou louca de vontade de conhecer, pelo que dizem tem muita terra da boa por lá. Pensei então que poderíamos ir juntas. O que me diz?
– VAMOS MIC! VAMOS AGORA MESMO.
– EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBA !!!

E assim minhoca e girafa foram em seu caminho, procurar a tal terra que é boa pra minhoca e espaçosa para girafa.

Continua…



Gina, a Girafa
28/03/2009, 19:56
Filed under: Gina, Histórias

Era uma vez, uma girafa muito bonita que vivia na cidade. Seu nome era Gina. Tinha um pescoço enorme que media mais ou menos um prédio de 3 andares. Tinha uma pele amarelada e desenhos amarronzados que lhe cobriam o corpo inteiro mais parecendo um labirinto. Ela ia e vinha pelas ruas estreitas e apertadas. Era um ser lindo e de uma imponência incrível, mas ao mesmo tempo se sentia triste. Sim meus amigos, triste. Imagine você com o tamanho de uma girafa, andando por ruas estreitas de uma cidade-grande. Era quase impossível viver feliz. Ainda assim conseguia arranjar simpatia para conversar com sua maior amiga: Mic a minhoca. Era uma amizade linda, que dava gosto de acompanhar. Mesmo sendo seres muito diferentes, ainda viviam em uma igualdade e sintonia perfeita.

A cidade

Gina, por mais triste que estivesse, sempre tentava ajudar as pessoas que viviam na cidade. Eram muitos os casos em que um pescoço tão grande poderia ser útil. Gina já havia perdido a conta de quantos gatos presos em árvores ela havia salvado. Ela gostava de ver a alegria das crianças quando lhe eram entregues os animais de estimação. Chegou a ajudar até os profissionais que concertam os cabos de eletricidade, salvando um de um eletrocutamento fatal. Quando havia obras no local, os pedreiros, carpinteiros e mestre-de-obras se sentiam seguros, pois sabiam que a Gina estava por ali para auxilia-los no que fosse possível.

Ainda que a cidade sentia-se segura pelos trabalhos heróicos de Gina, enxergavam que aquele não era o lugar ideal para um ser tão grande, mas ao mesmo tempo não podiam fazer nada para acabar com a tristeza de Gina. E assim caminhavam Gina, Mic e a cidade.

O Desenhista

Um dia, um desenhista famoso, teve uma idéia fantástica. Ele queria fazer de Gina uma heroína das histórias em quadrinhos. Ele queria mostrar aos quatro cantos da cidade quem era ela.

O tal desenhista, então foi falar com Gina para acertar detalhes de contrato e até uma remuneração. Falou ainda de como ela ficaria famosa pois a cidade inteira então saberia de seus feitos.

Gina se empolgou toda com essa história de fama. Ficou tão empolgada que foi direto chamar sua amiga Mic para contar a novidade. Mic ficou muito feliz com as novidades e ainda deu uma idéia para Gina:

– Gina, com essa história de dinheiro, você vai poder sair daqui e ficar em um lugar com espaço de sobra pra você !!!
– É verdade Mic, vou poder viajar e escolher um lugar bem gostoso, cheio de sol e arvores para me alimentar… Estou tão feliz Mic que eu poderia até pular.
– Calma ae Gina, se não você vai acabar me esmagando! Huahuahuahuahua

Gina estava feliz. Estava fazendo planos de tudo que poderia fazer com aquela oportunidade única que havia lhe aparecido na vida. Mas, infelizmente, a tristeza voltou. Ao mesmo tempo em que Gina era triste ali, sabia que era necessária.

– E agora ? O que eu faço ? Tenho todos os motivos do mundo para ficar feliz mas ao mesmo tempo estou triste. Se bem que todos dizem que com dinheiro e fama as coisas se resolvem mais fácil. Eu acho que estou sofrendo a toa.

Pensando assim, esqueceu seu dilema e esperou ansiosa pelo novo dia. O dia que o desenhista viria fazer os primeiros esboços de Gina e a cidade.

Continua…



Hmmmm…
20/03/2009, 21:20
Filed under: Dialogos

Sandro – ovos de avestruz batidos com camarões finlandezes

VUM – hahahahhahaha

Sandro – curte sim

Sandro – come até cru…rsrsrs

VUM – mas tem que ser tipo o primeiro ovo da vestruz

Sandro – sim…da vida

VUM – hmmmmmm

Sandro – e tem que ser engalado na lua cheia de dezembro

VUM – vou ter que dar um pulo numa cidadezinha perto ali da massachesets

Sandro – sim, cidade conhecida por suas massas e chucrutis

VUM – isso isso

Sandro – massas curtidas no inverno polar

VUM – ooo… o blog deixaeupensar.wordpress.com está criado

Sandro – e chucrutis colhidos nos desertos africanos

Sandro – vai guardando os textos…rsrsrs

VUM – mas daquela ponta branca antes da grande separação dos continentes npe ???

VUM – né

Sandro – sim sim

Sandro – a ponta branca do iceberg, que dividiu os continentes

VUM – hahahahahhaahahhahahaha

Sandro – muito afiada